por Flávio Scavasin
Gilberto Guimarães foi e continua sendo um grande querido de nossas Vilas, participante ativo na construção do nosso Coletivo das Vilas Beatriz, Ida e Jataí.
Muito presente e atuante em todas as situações, uma de suas características mais marcantes era a de ajudar quem precisasse. Sem anúncio e sem buscar sequer um agradecimento. E com um humor muito refinado, dava aos demais a sensação de quero mais. “Muito mais” da rica amizade desse Gilberto.
Publicitário de formação e professor pardal de múltiplos talentos nas horas vagas, se soubesse de alguém que precisasse de um balde de compostagem, ele trazia um no domingo seguinte, e no maior capricho, personalizado com o nome dos bairros ou o que a pessoa quisesse. Se percebesse um facão sem bainha, ele fazia um caprichado de couro. Se soubesse que alguém gostava de um determinado estilo de música, fazia uma seleção das melhores e trazia um CD ou pendrive, dependendo de onde o presenteado fosse ouvir. Se percebesse que gosta de uma boa cachaça, opa, também tem uma que traz de Minas.
Sempre com a sua caixinha de ferramentas tipo MacGyver, o herói do seriado com a incrível capacidade de improvisar, Gilberto trazia soluções simples para problemas complicados nas festas de Arraiá e em situações diversas, como uma roldana e apoio para o galho de árvores para pesagem de composto em altura mais confortável. Uma sofisticação… Até para abrir um vinho sem abridor era só chamar o Giba.
Sem falar de conversas muito agradáveis sobre qualquer assunto. Falta mesmo, só sentia das filhas, que moram no Exterior.
No dia 13 de junho de 2021, Gilberto veio compostar como em todos os domingos, às 10h da manhã. Brincou com todos, como de costume, voltou para casa e, logo depois do almoço, teve o destino que todos teremos, mas muito antes do que seria razoável para alguém como o Gilberto, que cuidava da saúde, tanto que o viamos sempre caminhando pelas ruas do bairro com a sua parceira e cúmplice de toda uma vida, Luli, e com o cachorro de ambos, sempre tratado a pão de ló.
Ele era assim.
Embora já não possamos vê-lo caminhando pelas Vilas, nunca o trataremos como alguém do passado. Ainda mais agora que estará sempre presente na última praça onde compostou, a do Rainha da Paz. Está lá na forma de uma árvore – que o carinho e agradecimento que temos por ele plantou -, a cabreúva, do termo tupi “Kaburé-Iwa”, “Kaburé” podendo significar coruja e “Iwa” árvore (veja fotos do plantio mais abaixo, clicadas por Antonio Brasiliano).
E Gilberto também lembra uma coruja, sempre com os olhos muito abertos observando todos, para identificar como poderia ajudá-los, um dos grandes prazeres de sua vida.
Obrigado, Gilberto!








